Buscando novos caminhos
Meus pais estudaram apenas o primário antigo, mas estudar sempre foi considerado algo muito importante em minha casa.
Lembro-me com muita alegria que meu pai sempre viajava para São Paulo a trabalho e ao retornar quase sempre trazia um livrinho de histórias para mim: A centopéia e seus sapatinhos, Rapunzel, Os tamanquinhos de ouro, lembro-me com perfeição das ilustrações e até mesmo do tipo de letras utilizadas na escrita desses livros. Adorava ouvir as histórias de meus livrinhos, vivia pedindo para alguém ler para mim, ficava atenta a cada palavra, chegava a decorar alguns trechos preferidos...eram momentos mágicos!
Ir para a escola era um desejo antigo, uma vez que presenciava diariamente meus irmãos mais velhos pegarem a bolsa e irem para a tal da escola. “Que lugar seria esse? E como seria essa tal professora que ensinava tantas coisas e fazia isso e aquilo?”
Minha primeira professora, Dona Rosa era carinhosa e pouco a pouco me conduziu através da cartilha Caminho Suave ao mundo desconhecido da leitura, mas o caminho não foi tão suave assim. Olhava para aquelas letrinhas, passava o dedinho e repetia incansavelmente os sons produzidos pela professora, até que num belo dia, como num passe de mágica, simplesmente comecei a compreender o som de cada conjunto daquelas letrinhas e comecei a ler. Parecia mágica mesmo, eu estava lendo!
Que alegria pegar meus livrinhos e conseguir ler sozinha todas aquelas letrinhas que formavam as belas histórias que tanto ouvi através da leitura de outras pessoas...
Da escrita a lembrança mais remota e também a mais marcante que tenho é a de escrever a caneta meu próprio nome nos meus amados livrinhos e em qualquer outro objeto, um detalhe: eu escrevia Rozangela com “Z” e todos alertavam que era com “S” que se escrevia Rosangela, mas eu não acreditava de jeito nenhum “é ZA e é com Z que se escreve” repetia cheia da razão de quem mal aprendera a ler. Essa situação estendeu-se por um bom tempo até que com incontestável sabedoria a Dona Rosa, minha professora, mostrou-me como prova a certidão de nascimento onde estava escrito meu nome da maneira correta, com S, foi um choque! Foi preciso adiantar a lição da cartilha...
Rosângela Ruiz Gomes
Mirante do Paranapanema/SP

Não sei quando me perdi por esse mundo de letrinha, mas só aí me encontrei!
ResponderExcluirMinha primeira experiência escolar, nem me lembro bem - ia à escola com meus irmãos, morávamos no sítio a escola era tão longe. Eu ficava lá numa pracinha brincando, entrava na sala, saía e assim o tempo passava, mas eu não era aluna não, meus pais trabalhavam e eu tinha que ir onde meus irmãos iam.
Quando cheguei à idade escolar mudamos para uma escola na cidade, andávamos muito para chegar a um ponto e aí, andávamos muito mais de ônibus até a cidade.
Como conhecia todas as letras e todas as palavras e escrevia, não conseguia entender o porquê a professora passava a aula a fazer riscos na lousa e depois fazia o alfabeto e eu copiava todas as linhas, pobre menina... me atrasava nas letrinhas pensando que o importante eram as linhas, com o tempo entendi e só aí me envolvi....
Janete Rodrigues
Lins/SP