Sabe tesouro? Desses mesmo que a gente guarda em baú e que se tornam o bem mais valioso que temos? Pois bem, os livros me foram apresentados assim! Meu avô tinha num quartinho só dele, no fundo da casa, um armário de madeira trancado com uma chave bonita e diferente recheado de livros. O momento mágico dos dias era quando ele abria as portas iluminadas e por elas voavam palavras. Ele nos deixava tocar as páginas, sentir o cheiro do talco que ele colocava entre as páginas para não ficarem com cheiro de mofo, percorrer os olhos pelas histórias. Algumas vezes, ele colocava os netos em volta dele e narrava histórias com passagens cantadas, como a da coruja que deixava os filhotes sob os cuidados do gavião... Final triste, triste, mas que nos ensinava que aos olhos de quem ama o ser amado é sempre o mais belo. Esses encontros "literários" fizeram de mim uma neta apaixonada pelo avô e pelos livros: a minha bússula humana me dizia sempre que conhecimento ninguém nos poderia roubar; cresci, assim, crente nessa verdade e ninguém a tira da minha alma.
Mais tarde, na escola, tive boas referências de leitura e de escrita. "Escrever redações" sempre foi um prazer. Hoje a escrita é uma espécie de "exorcismo" e eu amo transformar em palavras os sentimentos que me povoam. Embora aluna numa época em que as teorias que estudo hoje e tento transformar em prática habitavam somente o campo do “se” e nas escolas ainda se ouvissem ecos do quão “suave” se fez um “caminho”, eu estudei vislumbrando nas letras a perspectiva mais grandiosa da minha formação. “Ser professora” é parte de um projeto de vida! Do meu projeto particular de ser...
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